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A morte e as crianças

Com a reposição do feriado de todos os santos e sua aproximação ao dia dos finados, este é, por norma, um fim-de-semana em que algumas famílias visitam os falecidos familiares nos cemitérios.

A altura é, então, pertinente para abordar um tema com o qual sou, muitas vezes, confrontada. Muitos pais procuram aconselhamento técnico para melhor lidarem com a morte de um familiar perante as crianças.

“Qual é a forma certa para dizer ao meu filho que o avô morreu”; ”Como é que posso explicar-lhe o que é a morte”?

Vamos por partes.

Antes de mais nada, é importante referir que não há receitas universais e a forma mais adequada irá sempre depender, quer das características da criança (idade, personalidade, experiências anteriores), quer das características da família.

Por exemplo, é importante ter em conta que, até cerca dos cinco anos, a criança encara a morte como um processo reversível, isto é, assim como mata e ressuscita a personagem do jogo simbólico, também a pessoa que morreu pode acordar.

Questões mais frequentes:

  1. Como é que posso falar ao meu filho sobre a morte? Clara e suavemente, usando palavras simples. A criança ser informada sobre o que aconteceu (de forma clara e honesta e adequada à idade). Deverá ainda ser explicado à criança que a pessoa morta não voltará. Os pais não devem ter medo de usar a palavra “morte” ou “morreu”. Deve evitar-se eufemismos ou metáforas, como: “a avó partiu” ou “foi fazer uma longa viagem”, uma vez que poderão alimentar o medo de abandono da criança e, por sua vez, propiciará ansiedade e confusão;
  2. O que posso responder quando o meu filho pergunta “porquê”? Não raras vezes, a criança pergunta sobre o porquê de a avó ter morrido. Não tenha problemas em responder que já fez a mesma pergunta a si mesmo. Poderá aqui acrescentar que a morte faz parte da vida e que há coisas que controlamos e outras não.
  3. Devo levar o meu filho ao funeral? Esta é uma decisão que cada família deverá tomar. No geral, a partir dos 6 anos, a criança já poderá participar nos ritos fúnebres e testemunhar o sofrimento familiar (deve ser preparada para o funeral, mas não obrigada a ir!).
  4. Devo evitar chorar à frente do meu filho? De maneira alguma. A criança deve apre(e)nder que a dor e a tristeza devem ser partilhadas. Mais, o seu encobrimento pode ser entendido como restrição à sua própria dor.

É importante ter em atenção que o luto não tem um tempo fixo e a perda pode ser re-evocada em situações específicas (natais, aniversários).

Para as crianças ou não, o luto é um processo complexo está terminado quando é capaz de pensar na pessoa que morreu sem dor (entenda-se angústia e manifestações físicas), ainda que possa continuar a haver tristeza…

E não é errado estar triste!…

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