Gravidez-pais-filhos · Pensamentos soltos · Relações humanas

Desliga isso!

Observo a mesa do lado com uma família (mãe, pai e dois filhos). Enquanto esperavam pelo pedido, os quatro elementos mantinham a cabeça baixa, agora não já no menu, mas no smartphone!… Cada um com o seu!

O aparelho é posto de lado, apenas quando chega o prato. Ou melhor, só depois da fotografia ao dito, para, em tempo real, mostrar aos “amigos” que bem que se como ali!…

E pronto, está feito o almoço de família!

Na minha infância e adolescência, em casa dos meus pais, o jantar era um ritual imperioso. Tomado à mesma hora (sem, no entanto, ser rígido) e invariavelmente à mesa da sala, com a família toda junta, não havia espaço para o “eu hoje janto mais tarde…”.

Lembro-me de, a dada altura, o meu pai ter instituído a televisão desligada à hora de jantar… Tentava promover a comunicação entre pais e três filhos.

No cume da “parvoíce” dos meus 12/13 anos, detestei, como os meus irmãos, a iniciativa. Pronto, lá vinha o “Como é que correu hoje a escola?”…

Hoje, aplaudo a iniciativa.

Também nunca houve televisão nos quartos.

Sou uma acérrima defensora da abolição destes aparelhos nos quartos, quer dos miúdos, quer dos graúdos.

Hoje, cá em casa, salvo algumas exceções domingueiras em que nos apetece “jantar a fingir” e nos permitimos (enquanto somos só dois…) chamar de “jantar” a petiscar qualquer coisa menos recomendável no sofá, o jantar é também à mesa, com a TV desligada, ou em surdina.

O telemóvel não faz parte da mesa, como se de um talher se tratasse…

Se toca, deixá-lo. Seja quem for, pode esperar.

Sou do tempo (agora dou por mim a utilizar expressões dos maduros: “sou do tempo”???!!!) em que se combinavam os encontros com os amigos no “sítio do costume”. Ninguém se desencontrava, ninguém se perdia e não havia acertos prévios de coordenadas por chat ou sms.

O telefone era o fixo e era falta de educação ligar para casa de alguém depois das 21h30.

Não me tornei uma militante anti-tecnologia. De todo. Tenho telemóvel, página nas redes sociais e, confesso, já me aconteceu voltar atrás para resgatar o telemóvel esquecido em casa.

Mas uma bela refeição pode e deve ser saboreada, sem a “instagramarmos”… (Arrisco afirmar que a “gramamos” muito mais!…)

Um céu em lusco fusco pode ser muito mais inebriante em formato real do que em 16:9…

E enquanto procuramos o enquadramento perfeito para captar o momento… Ele já foi!

(…) Sai de casa e vem comigo para a rua

Vem, que essa vida que tens

Por mais vidas que tu ganhes

É a tua que mais perde se não vens (…) (Deolinda)

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