pais e filhos · Pensamentos soltos · Relações humanas

Nunca tive um cão

Dia mundial do cão.

Nunca tive um cão.

Lembro-me como se fosse hoje do dia em que o meu irmão entra em casa, sustendo 2 gatos recém nascidos que alguém abandonara, e do carinho e empenho com que as suas mãos (até então de criança, mas, naquele dia, paternais) os sustinham e cuidavam. Lembro-me como se fosse hoje das lágrimas do meu irmão quando, no dia seguinte, acordava com a triste notícia… Nunca os meus olhos de ainda criança lhes tinham visto lágrimas tão grossas, bem diferentes das de “crocodilo” a que já se haviam habituado…

Nunca tive um cão.

Ainda assim, a primeira vez que chorei com um livro foi com o conto “Nero”, de Miguel Torga no sublime: “Os bichos” (A ler!). O velho cão Nero, que sabia a sua morte aproximar-se e não se sabia amado, fecha momentaneamente os olhos. Morre feliz quando, num ultimo suspiro, os reabre e vê a dona a chorar chorando sobre o seu velho corpo.

Nunca tive um cão. Os meus pais resistiram com determinação aos apelos.

Hoje, vejo os meus filhos com UM (artigo indefinido propositadamente, porque é mesmo com qualquer um/uma) e duvido da minha determinação quando chegar a sua vez de pedir um irmão. Sim, um irmão.

 

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