pais e filhos · Pensamentos soltos · Psicologias · Relações humanas · Uncategorized

Como lhes explicamos isto?

Como explicamos isto aos nossos filhos?

A forma como devemos explicar o que se passa aos nossos filhos terá de ter em conta, quer a sua idade, quer o seu nível de compreensão. 

Claro que queremos proteger os nossos filhos, mas esconder-lhes a existência do vírus ou camuflar a informação não é a melhor estratégia. Tão pouco devemos fugir do assunto ou pintá-los com lápis de cor, até porque ele se impõe.  Ao invés, o assunto deve ser abordado com a formalidade e a seriedade que ele merece, e não interpelado entre episódios da Patrulha Pata ou dos TPC de matemática (para os mais velhos).

Os pais deverão ser os agentes privilegiados do conhecimento, tendo, todavia, o cuidado para não antecipar informação. O número de mortes diárias ou dos doentes nos cuidados intensivos é uma referência perfeitamente desnecessária e expor as crianças ao sensacionalismo de (alguns) órgãos de comunicação social não é, certamente, a melhor forma para as elucidar.   

Nunca, em tempo algum, devem os pais evitar ou minimizar as preocupações e/ou receios dos filhos. Validá-los, transmitindo-lhes que é normal que os tenham. O assunto não é um assunto encerrado ou um “não assunto” e os pais estão disponíveis para responder às suas dúvidas e inquietações. 

Nas crianças mais pequenas em particular, é importante perceber o que eles já sabem, convidando-as, por exemplo, a falarem sobre o assunto. Ou “aproveitar” um comentário, uma interjeição, uma pergunta que lhe sirva de rastilho. (Hoje, à alvorada, equanto fixava o céu, um dos gémeos perguntou-me porque não havia aviões a voar…)

Esta abordagem permite, por um lado, desmistificar algumas ideias incorretas e, por outro lado, não dizer mais do que elas suportam receber. Informação à solta não representa uma mais-valia. 

Os pais devem ser o veículo, mas também o filtro da informação. 

Se, em crianças muito pequenas, percebermos que não sabem nada sobre o assunto, pode ser preferível não o introduzir, por forma a não criar ansiedade. É, sim, uma boa altura para lhe relembrar hábitos de higiene e reforçar a sua importância. O jogo simbólico, desenhos, jogos, pode ser um meio para abordar o tema, sem recorrer a linguagem direta, por vezes, intrusiva.

Mostrar-lhe que há muitas formas de gostarmos de alguém sem ser dar beijinhos!…

Não devem os pais responder com informação falsa, ainda que, por vezes, isso passe por assumir um “não sei”. Se, por um lado, as crianças têm direito a informações verdadeiras, os adultos têm o dever de as proteger. Esta proteção não passa, todavia, como já referimos, de ocultar o problema ou responder com informação falsa, ainda que, por vezes, isto passe por assumir um “não sei”.

Não adianta estar com uma exposição muito alongada quando, na realidade, elas só estão preocupadas (ou não!… Os meus filhos estão radiantes!…) com a escola que fechou.

Mais do que o que dizemos, é a forma como nos comportamos. As crianças são esponjas absorventes. Pais preocupados, ansiosos, à beira de um ataque de nervos não estão a ser pais contentores. 

A melhor forma de ajudarmos a criança a lidar melhor com a situação é, nós próprios, lidarmos com elas da melhor forma possível. As crianças vão responder às nossas próprias reações.  

Ajudá-las-á saber os pais calmos e controlados. 

É normal e até expectável, também nós pais, experimentarmos ansiedade, preocupação, tristeza. Ter algum tempo (por pouco que seja) para nós. Claro que, entre lidas domésticas, teletrabalho, gestão do tempo das crianças, ter “tempo para nós” parece um palavão obsceno. Porém, por muito pouco que seja, encontrarmos uma forma de relaxar e “fintar” a ansiedade trará reais benefícios. E lembrarmo-nos que não precisamos de preencher todos os minutos dia da criança com atividades. É saudável, como já escrevi noutro artigo, que a criança experimente algum tempo sem atividades programadas e dirigidas e que aprenda a brincar sozinha.    

As crianças devem ver nos pais assassinos implacáveis do que assusta ainda que, aqui para nós, saibamos que não tempos superpoderes. Ou será que esta experiência nos mostrará o contrário?… 

IMG_20200401_190936_438

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s