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Reabertura das creches

REABERTURA DAS CRECHES
Exceção feita às medidas necessárias, como a higienização dos espaços e demais, outras há que, para além de execução lírica, são hostis e até violentas, (sim, violentas!) para as crianças. Falamos de creche, a saber, crianças até aos 3 anos de idade. E temos que: -Os pais não podem entrar no estabelecimento, tendo a entrega (como se de mercadoria se tratasse) de ser feita individualmente e fora do recinto;
-O brinquedo que a criança leva de casa para a escola não é permitido. O brinquedo levado de casa é muito mais do que isso. Ele faz a ponte simbólica e afetiva entre casa e escola. Tem, ademais, uma função securizante, especialmente importante em momentos de adaptação, como é, não nos iludamos, este. O tempo é subjetivo. O tempo das crianças não é o nosso e dois meses são uma eternidade. Muitas, apesar dos esforços inglórios para estarem presas ao ecrã aquando o confinamento, mal recordam o rosto da educadora e auxiliares. Essas mesmas que estarão, no regresso, encapotadas de máscara, luvas e bata cirúrgica, promovendo, portanto, o ambiente caloroso e a linguagem dos afetos que as crianças sorvem. Na melhor das hipóteses, teremos crianças na tentativa constante de desmascarar o adulto numa procura incessante da expressão inteira. Na pior, crianças que não se aproximam.
Contrariando, não apenas o registo sensório motor e pré-operatório destes estádios de desenvolvimento, como a troca promiscua, quase obscena, mas natural, de pertences e fluidos corporais, as crianças não poderão partilhar material didático. Vamos, portanto, pedir-lhes para fazerem tábua rasa da pedagogia transmitida até agora sobre a importância do partilhar. E já agora desenhar um tabuleiro de xadrez no chão para que cumpram os 2 metros de distância entre elas, em que a mínima aproximação é posta em “xeque”, do mais mate que há, porque é desprovida de qualquer brilho.
É verdade que a economia não pode estagnar, mas o mercado de bolsa dos afetos não se tece pelas mesmas regras e não é preciso sermos todos “psis” com nota 20 para o entender. A minimização de riscos impera, mas o maior dos riscos é criarmos crianças assépticas, estéreis e confinadas a si mesmas.

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