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Eu acredito

Acho que uma das particularidades mais enfadonhas do crescer é deixar de acreditar em fadas.
As bocas desdentadas, o cabelo à tigela, o peixe ainda com espinhas e o despertador são ligeiros dissabores incluídos no pacote “all inclusive”. Mas deixar de acreditar em fadas, isso sim, são as verdadeiras dores de crescimento. 
Tenho para mim que o processo devia ser inverso e devíamos caminhar para a juventude à medida que crescemos, um pouco à Benjamim Button, mas isto são devaneios de quem (às vezes) ainda acredita em fadas. 
O que eu queria era que fizessem deste um mundo de Sofia e nunca perdessem a capacidade de se surpreenderem. 
Queria que olhassem, mas vissem. E enxergassem que o todo é muito mais do que a soma das partes. Queria que se apaixonassem pelas coisas, que amassem as pessoas inteiras, que vivessem os sonhos no todo e partissem os obstáculos aos pedaços. 
Queria que ouvissem, mas escutassem. E quando percebessem que o silêncio tem som, então atrever-se a empregar as metáforas que entendessem para dar sentido aos sentidos. 
Queria que suspirassem sozinhos e conspirassem juntos.
Queria que não tivessem medo, que não desconfiassem por princípio e que não vissem em tons de negro, a não ser nas plantas dos pés. Pés pretos são o carimbo da experiência vivida em toda a plenitude.
Não aspiro a que deixem de ser crianças, mas sonho que não se façam pequeninos para sonhos maiores (ou “mais grandes”, se quiserem).
Mas isso sou eu, que ainda acredita em fadas.

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