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Crianças cristal

Não me socorro da bagagem académica ou tampouco procuro uma base teórica que sustente o exercício da maternidade. Sou-o por intuição.
E não sou diferente da maioria das mães no que toca ao desejo recôndito de querer acolchoar o mundo das crias. 
Não me tomo como particularmente galinha, sou arraçada de ave, mas das que voam. 
Acredito que proteger só é cuidar se o cuidado não asfixiar.
E se a proteção aconchega, dá abrigo e calor, a superproteção incapacita, limita e impossibilita. Ela vai criar filhos-cristal: duros, mas frágeis.
Proteger é acolher, expandir e dar amor, mas colocar limites e plantar a frustração.
Chateia-me o discurso ecóico de que as crianças são o futuro. As crianças são o presente, não um projeto de adulto. 
E estas, até que se tornem galos de capoeira, ou deixarem de procurar este ninho, terão sempre estas asas que apertarão com força doseada os seus desalentos.  Afinal, são feitas de penas. Não das de dó, mas de todas as notas que compõe uma canção de acalento.

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